Segundo uma pesquisa realizada pela revista SAÚDE mais de 50% das pessoas que possuem a esclerose múltipla levaram menos de um ano para diagnosticá-la, porém, este período de tempo pode ser crucial quando falamos de tratamento. Cerca de 39% dos entrevistados possuem problemas sérios de memória e 35% deles possui a sensação de formigamento e dormência frequente. A grande maioria dos que participaram desta pesquisa disseram que os médicos foram muito atenciosos e compreensivos. Apesar dos sintomas citados serem mais “amenos”, esta patologia pode levar o indivíduo a condições precárias de existência.

O que é a esclerose múltipla?

Podemos definir a esclerose múltipla como uma doença autoimune que age principalmente sobre o cérebro, os nervos ópticos e a medula espinhal, o sistema nervoso central. Este mal se dá quando o nosso organismo identifica as próprias células como elementos intrusos e passa a atacá-las, causando danos a si mesmo.

Basicamente, o sistema imune do indivíduo corrói a bainha protetora que cobre nossos nervos, a mielina, que quando danificada, não consegue realizar o seu papel de forma integral, que é estabelecer a comunicação entre o cérebro, a medula espinhal e outras áreas do sistema.

Esta circunstância pode acarretar a deterioração nervosa, em um processo que tem grandes chances de ser irreversível. Em longo prazo, os danos causados à mielina causa lesões graves no tecido cerebral, que podem levar à atrofia grave ou até mesmo à perda de massa. Generalizando, as pessoas que possuem a esclerose múltipla acabam perdendo a massa cerebral até cinco vezes mais rápido que pessoas normais, com o passar do tempo.

Os sintomas costumam variar bastante de caso para caso, porém, esta enfermidade ficou popularmente conhecida como uma disfunção muito debilitante, já que nos quadros mais agravados, os doentes podem chegar a ficar sem andar ou falar, por exemplo.

Seu diagnóstico precoce é difícil, mas apesar disso, existem casos em que reconhecer cedo a patologia ajudou no tratamento, controlando sintomas e a progressão da patologia.

Quais são os tipos de esclerose múltipla?

Existem basicamente três tipos de esclerose múltipla: a esclerose múltipla remitente recorrente (EMRR), a esclerose múltipla primária progressiva (EMPP) e a esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP).

A primeira delas é definitivamente a mais comum, que é caracterizada pela ocorrência dos surtos, uma manifestação neurológica típica da doença que dura mais que 24 horas.

A segunda não é tão comum e é caracterizada pela ausência dos surtos, porém, o paciente desenvolve sintomas e sequelas de maneira progressiva por conta da doença.

A terceira, que é a menos comum de todas, é caracterizada por surtos e remissões periódicos, que com o passar do tempo, se tornam sintomas e sequelas de maneira progressiva, sem necessariamente tendo a presença dos surtos iniciais.

Quais são as causas da esclerose múltipla?

Apesar das inúmeras pesquisas realizadas, as causas da esclerose múltipla ainda não foram descobertas. Todavia, existem dados interessantes, que também são resultados destas mesmas pesquisas e sugerem possíveis causadores da enfermidade.

Existem milhares de estudos no mundo todo que tem como foco esta patologia, para diminuir significativamente os impactos da mesma na vida dos indivíduos e futuramente, quem sabe, apontar de forma definitiva as origens e causas deste mal.

Confira a seguir as hipóteses:

Genética e ambiente

Acredita-se que a esclerose múltipla possa ser uma doença genética, já que a tendência entre parentes é muito maior. Irmãos de um portador, por exemplo, tem mais chances de possuir a enfermidade do que outros.

No entanto, é possível chegar à conclusão que a hereditariedade não seja o único fator envolvido, pois em pesquisas realizadas com gêmeos, os resultados foram divergentes. Pessoas “idênticas” deveriam ter o mesmo risco, mas não é assim que as coisas acontecem.

Por isso, alguns cientistas também adicionam o ambiente a esta operação, como um agente ativador. O indivíduo que já tinha uma predisposição, quando exposto a uma determinada condição, tem uma resposta imune exagerada, e consequentemente, desenvolve a esclerose múltipla.

Vírus

Alguns estudos demonstram que certos vírus podem ter ligação com o aparecimento da esclerose múltipla. São eles: o Epstein-Barr, o varicela-zoster e aqueles presentes na vacina da hepatite. Até agora nenhum destes dados foi confirmado por experimentos, portanto, esta informação é questionável, mas de forma alguma descartável.

Outras possibilidades

Existem diversas evidências que apontam para os hormônios como causadores da esclerose múltipla, pois os mesmos podem afetar o sistema imunológico e desbalanceá-lo.

Tanto o estrogênio quando a progesterona, dois hormônios femininos muito fortes, conseguem agir sobre a atividade imunológica, ativando-a ou inibindo-a. Durante a gravidez, por exemplo, os níveis destas substâncias crescem e isso ajuda de certa forma a explicar porque as futuras mamães tem uma incidência menor da doença.

O mesmo se dá com a testosterona, o hormônio masculino, já que quando em comparação com os hormônios femininos, ele existe em quantidade maior. Isto explicaria porque as mulheres apresentam mais chances de desenvolver a esclerose múltipla do que os homens. Apesar disso, só este motivo não é o suficiente para explicar a enfermidade.

Quais são os fatores de risco da esclerose múltipla?

Como não existe uma causa exata, vários fatores podem aumentar os riscos de se ter esclerose múltipla. Confira os principais deles:

  • Etnia: os brancos (caucasianos), que possui descendência européia estão mais propensos a desenvolver a esclerose múltipla. Negros, asiáticos e americanos estão menos propensos a desenvolver a esclerose múltipla.
  • Gênero: mulheres são cerca de três vezes mais propensas a desenvolver a esclerose múltipla do que os homens.
  • Histórico familiar: indivíduos que possuem familiares que tem esclerose múltipla tem mais tendência a ter a doença também.
  • Idade: a doença pode atingir qualquer idade, mas a maioria dos diagnósticos são feitos em pessoas que possuem de 20 a 40 anos.
  • Outras doenças do gênero: a doença tende a se manifestar em pacientes que já possui alguma outra complicação autoimune.
  • Região geográfica: a esclerose múltipla é mais comum nas regiões do Norte, na Europa, Nova Zelândia e na parte sudeste da Austrália.

Como a esclerose múltipla ainda é uma doença cheia de mistérios perante os olhos da ciência, é possível que existam alguns outros fatores de risco que possam prejudicar a vida de quem possui esta patologia, por isso, todo cuidado é pouco quando falamos disso.

Quais são os sintomas da esclerose múltipla?

Os sintomas da esclerose múltipla costumam variar bastante de pessoa para pessoa, sendo que alguns deles oscilam (aparecem e somem) e alguns deles são permanentes. Esta variação se dá porque a doença costuma afetar cada sistema nervoso de maneira diferente e por isso, dificilmente duas pessoas vão sentir as mesmas coisas.

Ainda sim, é possível generalizar as repercussões da patologia, leia abaixo:

  • Visão turva ou dupla
  • Problemas sexuais
  • Dores crônicas
  • Falta de equilíbrio
  • Espasmos musculares
  • Formigamentos
  • Dificuldade cognitivas
  • Fadiga
  • Incontinência urinária.
  • Perda de força
  • Depressão

Um indivíduo pode apresentar um ou mais sintomas, mas ninguém precisa ter todos eles para ser um paciente da esclerose múltipla. Não se desespere, porque em muitos casos, outras doenças podem ser confundidas com esta, por causa da similaridade de efeitos. Procure um médico para receber um diagnóstico certeiro.

Como é feito o diagnóstico da esclerose múltipla?

Normalmente o indivíduo que possui esclerose múltipla não procura um neurologista logo de cara para resolver a situação, porque não sabe que se trata deste tipo de problema, mas é este o profissional que deverá realizar o seu tratamento.

Procure levar uma lista com todo e qualquer sintoma que você sente ou sentiu, assim como informações pessoais importantes, histórico de doenças, histórico familiar e os medicamentos que você toma ou já tomou.

O médico provavelmente vai te fazer uma série de perguntas, assim como você provavelmente terá algumas dúvidas, portanto, não hesite em perguntar, elas importam.

Em geral, começamos com exames que possam ser característicos de outras doenças, para descartá-las se for o caso. Depois disso, o especialista pode unir o diagnóstico clínico a alguns testes específicos como exames de sangue, punção lombar, ressonância magnética e o exame de potencial evocado.

Com os resultados destes, possivelmente o paciente já vai ter uma resposta definitiva em mãos, positiva ou não.

Como tratar e cuidar da esclerose múltipla?

Apesar da esclerose múltipla não ter cura, ela pode ser tratada para controle. Geralmente o foco deste processo está na administração das crises e sintomas, bem como a inibição da doença, para que a mesma não progrida.

Hoje em dia, no Brasil, existem uma série de medicamentos que visam suprir as necessidades dos pacientes que foram diagnosticados com a patologia, e eles podem ser administrados via oral ou através de injeções periódicas.

Cada fórmula atende especificamente um perfil e tem reações diferentes, por isso, é importante que o fármaco seja adquirido somente com uma receita médica. É importante lembrar-se de sempre ingerir ou injetar a quantidade correta da substância indicada e prolongar o tratamento pelo tempo que for necessário, até seu especialista indicar ou sinalizar uma pausa.

Você pode tratar os sintomas da esclerose múltipla com fármacos comuns, como relaxantes musculares e medicamento para reduzir a fadiga, de forma geral. Além disso, existem outras substâncias específicas que atuam sobre cada sintoma a fim de torná-los menos incômodos no dia a dia do paciente.

Procure outras alternativas, como a fisioterapia, para fortalecer a resistência do seu corpo. Existem diversos centros de apoio psicológico, que ajudam o paciente a tratar as repercussões mentais que um problema desta gravidade pode trazer para o dia a dia, portanto, o apoio físico nem sempre é o suficiente.

Quais são as complicações que a esclerose múltipla pode causar?

Não são todos os casos da esclerose múltipla que apresentam complicações, porém, alguns deles podem ter as seguintes:

  • Depressão
  • Epilepsia
  • Dificuldades sexuais permanentes
  • Paralisia, geralmente nas pernas
  • Problemas na bexiga permanentes
  • Espasmos musculares e fraqueza crônica
  • Esquecimento e dificuldade de concentração permanente

Como viver com a esclerose múltipla e gerenciá-la?

Existem algumas indicações de prognóstico para tornar o gerenciamento da esclerose múltipla mais simples.

  • Descanse bastante, pois a fadiga já é um sintoma da doença e a falta de disposição pode te prejudicar ainda mais.
  • Pratique exercícios, pois a atividade física regular melhora todo o desempenho do organismo e minimiza os danos causados pela patologia.
  • Mantenha uma dieta equilibrada, já que a mesma é importante para a saúde do seu corpo.
  • Alivie o estresse, já que ele pode desencadear ou piorar os sintomas que já existem.
  • Adapte-se aos ambientes, pois algumas imposições do convívio social podem ser demais para o paciente.
  • Evite o calor, pois aqueles que possuem este mal são mais propícios à sensibilidade aguçada.

Como prevenir a esclerose múltipla?

Atualmente não existe nenhuma maneira de se prevenir o surgimento da esclerose múltipla, até porque sua origem é desconhecida pelos médicos. Apesar disso, quando os sintomas se tornam mais “comuns” e conhecidos, os mesmos ficam mais fáceis de serem prevenidos, com alguns medicamentos rotineiros, que agem além do específico para o controle e diminuição de danos causados pela patologia em si.

Recursos e suporte

Existem diversos institutos de pesquisa voltados exclusivamente para o tratamento deste assunto assim como grupos de pesquisa e grupos de apoio. Um dos mais famosos deles, no Brasil, é a AME, mais conhecida também como Amigos Múltiplos pela Esclerose.

Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME)

Esta organização sem fins lucrativos atua desde o ano de 2012 divulgando a doença e ajudando nos quesitos de pesquisa a fim de contribuir para a visibilidade da mesma e cooperar com os diagnósticos e tratamentos acelerados, evitando danos maiores.

Agora que você já sabe tudo sobre a esclerose múltipla ficou mais fácil identificar, diagnosticar, tratar e decidir qual é o melhor para a sua saúde. Em caso de necessidade procure o auxílio de um profissional experiente, ele pode te dar dicas que são extremamente pertinentes para uma melhor convivência com a patologia e com seus sintomas. Muitas vezes não é fácil saber que se tem uma doença tão debilitante como esta, porém, com o apoio de amigos e familiares é possível ultrapassar esta barreira para viver uma vida feliz.