Cerca de 3 milhões de pessoas tem vitiligo no Brasil, ou seja, 1,5% da população, porém, poucas pessoas realmente sabem o que é esta doença e como ela age sobre a vida de cada um. As manchas brancas não são muito seletivas quanto às suas vítimas e por isso, aparecem em diversos perfis de indivíduos, podendo causar algumas complicações. Apesar desta questão estética não parecer tão incômoda aos olhos de quem não é atingido, para os pacientes, pode ser um inconveniente perturbador.

O que é vitiligo?

Podemos definir o vitiligo como uma doença cutânea que age sobre o organismo causando a perda gradativa da pigmentação da pele e geralmente se manifesta com o aparecimento de manchas por diversas regiões.

Atualmente é impossível prever a extensão dos danos causados ou quanto da cor da pele será prejudicada. Esta condição pode afetar até mesmo os cabelos, a parte de dentro da boca e os olhos. Esta patologia pode afetar todo tipo de pele, mas é mais perceptível nas que são mais escuras.

O vitiligo não é contagioso, porém, pode afetar seriamente a autoestima do indivíduo e servir como uma espécie de gatilho para alguns problemas psicológicos, como a ansiedade e a depressão. Apesar de existir cura, ela não depende somente do método utilizado, mas sim da reação de cada um a este.

Esta enfermidade pode ser classificada como autoimune e fatorial, onde predisposição genética e fatores externos contribuem com o seu aparecimento

Quais são os tipos de vitiligo?

De maneira geral podemos dividir o vitiligo em dois grandes grupos, e a partir daí, em sete outros tipos. Confira nos tópicos a seguir:

Vitiligo localizado

Neste caso, uma ou mais manchas podem surgir em pelo menos três regiões do corpo, com evolução rápida (questão de semanas ou meses) e depois seu aparecimento se estabiliza. A partir deste ponto não surgem mais manchas. Este grande grupo de vitiligo pode se dividir em três outros, classificados como segmentar, focal ou de mucosas.

O primeiro tipo em questão é caracterizado por uma série de manchas em formato de faixas e unilaterais, ou seja, de um lado só do corpo.

O segundo tipo é caracterizado pelas manchas que aparecem em duas ou três partes do corpo, como mãos, axilas, pálpebras e pés, sendo o mais comum de todos.

O terceiro tipo é caracterizado pelo aparecimento de algumas manchas na região dos lábios e na região das genitais.

Vitiligo generalizado

Este grande grupo de vitiligo pode se dividir em quatro outros, classificados como vulgar, misto, universal e acrofacial.

O mais comum deles é o vulgar, caracterizado pelo aparecimento de manchas simétricas em diversas áreas do corpo.

O tipo misto pode ser definido como uma mistura do vitiligo vulgar e do vitiligo segmentar.

O vitiligo universal, um tipo extremamente raro, é caracterizado pelo aparecimento de manchas em mais de 70% do corpo.

O último tipo, o acrofacial, é caracterizado pelo aparecimento de manchas na região do rosto, mãos e pés. Em alguns casos, o vitiligo focal pode se transformar em alguma versão generalizada, provocando manchas simétricas que podem se desenvolver de forma rápida ou lenta, com probabilidade de estabilidade.

Quais são as causa do vitiligo?

Ainda não se sabe exatamente quais são as causas do vitiligo, porém, sabemos que o mesmo se dá quando as células que formam a melanina, os melanócitos, morrem ou deixam de cumprir o seu papel. A produção do pigmento que garante a cor da pele, dos cabelos e dos olhos é prejudicada e as manchas começam a aparecer.

A maioria dos pesquisadores acredita que esta patologia é autoimune pois isto explicaria a problemática central, já que o nosso próprio corpo atuaria contra seus próprios organismos.

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Quais são os fatores de risco do vitiligo?

O vitiligo pode aparecer em qualquer pessoa, embora seu surgimento seja maior em indivíduos que possuem a pele mais escura. A doença também pode atingir públicos de qualquer idade, porém, indivíduos até 20 anos de idade possuem uma tendência maior a desenvolver as manchas.

Apesar da questão familiar também se apontada como um fator de risco, onde um parente de uma pessoa com vitiligo estaria mais propenso à patologia, a informação ainda não foi confirmada através de experimentos científicos.

Quais são os sintomas do vitiligo?

O principal sintoma do vitiligo é obviamente o aparecimento de manchas na pele, porém, existem alguns outros sinais que podem indicar a doença. Confira:

  • Perda de pigmentação do cabelo, cílios, sobrancelhas ou barba
  • Descoloração dos tecidos que cobrem o interior da boca e do nariz (mucosas)
  • Alteração ou perda da coloração da retina (camada interna do globo ocular)
  • Manchas ao redor das axilas, órgãos genitais e abdômen

Além disso, os sintomas podem variar de intensidade, aparecendo em todo o corpo no caso do vitiligo generalizado (o mais comum), em apenas um lado do corpo no caso do vitiligo segmentar ou em apenas uma região específica no caso do vitiligo local.

O progresso desta patologia é difícil de acompanhar, já que a mesma evolui de maneira inconstante. Esta evolução depende única e exclusivamente do paciente, porém, uma vez que a pigmentação da pele se desfez, dificilmente ela voltará a sua tonalidade original.

Como é feito o diagnóstico do vitiligo?

Se você notar qualquer um dos sintomas citados acima, procure ajuda médica. Geralmente o diagnóstico pode ser feito tanto por um clínico geral quanto por um dermatologista (especialista da área), isto depende da procura de quem quer investigar a questão.

Esteja preparado para o atendimento, leve uma lista com todos os sinais que perceber, bem como o seu histórico médico, o histórico médico da sua família e a lista de medicamentos que você consome atualmente.

O doutor provavelmente fará uma série de perguntas, assim como você também deve fazer, para que todas as dúvidas de ambas as partes sejam sanadas. Nunca hesite em falar o que você pensa, pode ser pertinente.

Depois deste acompanhamento, na maioria dos casos é feito um exame físico parcial a fim de excluir qualquer outra possibilidade além do vitiligo. Existe a possibilidade de que se faça uma biópsia de pele a fim de revelar qualquer anomalia e em seguida o responsável pode determinar a necessidade de outros exames para procurar condições adjacentes à problemática apresentada.

No final, serão determinadas as melhores medidas de controle e de minimização de eventuais danos que possam existir.

Como tratar e cuidar do vitiligo?

O espalhamento do vitiligo é imprevisível, depende muito do tipo de pigmento da pele, porém ele é curável e varia de acordo com o método terapêutico e a reação do organismo a este.

Cada caso deve ser analisado individualmente para ter o devido tratamento, e recomenda-se também um acompanhamento psicológico para um melhor resultado de tratamento.

Para disfarçar a aparência do tom da pele, médicos recomendam tratamentos mais simples como o uso de bronzeadores, maquiagens e cremes. Portanto, podem demorar meses para mostrar sua eficiência e alguns cremes podem causar o afinamento de pele e o surgimento de estrias.

Também pode ser feito o uso de terapias realizadas com a ingestão ou aplicação de medicamentos psoralênicos (derivados de plantas) mais a terapia de luz, em que o paciente ficará exposto à radiação ultravioleta A (UVA) ou a ultravioleta B (UVB), que tendem a ter melhores resultados, podendo ser feitos três vezes por semana de seis meses a um ano.

A terapia de despigmentação também é uma opção caso outros métodos não foram eficazes, ela atua com um agente despigmentante em áreas não afetadas da pele, fazendo com que a pele se ilumine para se misturar com as áreas descoloridas.

Ela pode ser feita até duas vezes por dia durante nove meses e dentre seus efeitos colaterais podem apresentar vermelhidão, inchaço, coceira e pele seca.

Há possibilidades também de medicamentos que atuem diretamente no sistema imunológico, todos devem ser prescritos pelo médico especialista. Em casos mais extremos, pode-se optar por cirurgia que uniformize o tom da pele, restaurando a cor, sendo três diferentes tipos.

O enxerto de pele é realizado a partir da remoção de pequenas partes da pele com a pigmentação original sobre as que já perderam a cor. Também é possível o enxerto de bolhas feito em cima da pele pigmentada, que após serem removidas, são transplantadas para as partes descoloridas.

Já na micropigmentação, são implantadas o pigmento que foi perdido nas partes descoloridas, sendo mais eficaz ao redor dos lábios e em pessoas com a pele mais escura.

Quais são as complicações que o vitiligo pode causar?

As pessoas que possuem o vitiligo estão mais sujeitas à algumas complicações do que outras. Descubra abaixo:

  • Efeitos colaterais do tratamento (por causa da administração de certos medicamentos)
  • Problemas sociais e psicológicos causados por baixa autoestima, como a ansiedade, a depressão e várias outros distúrbios similares
  • Problemas oculares, como a inflamação da íris (irite)
  • Queimaduras solares por causa da sensibilidade cutânea aflorada e câncer de pele
  • Perda de audição por causa de inflamações auditivas ou patologias do gênero

O vitiligo tem cura?

Por mais que pareça estranho fazer este tipo de afirmação, a cura do vitiligo é relativa, ou seja, ela depende do estado em que se encontra a saúde do paciente e dos cuidados que ele toma durante o tratamento.

Existem quadros nos quais é possível interromper o progresso da doença e fazer a pele voltar a sua tonalidade original, assim como existem casos em que isso não é possível, ou é possível de forma menos aparente.

Ainda sim, o espaço da pele que é repigmentado nem sempre acaba com a cor do tecido ao redor, tudo depende da reação do organismo de cada um ao método terapêutico escolhido.

Como viver com o vitiligo e gerenciá-lo?

Viver com o vitiligo não é uma tarefa muito complexa, porém, existem alguns cuidados que devem ser tomados para que a eficácia do tratamento se mantenha.

  • Evite ficar exposto à luz solar ou iluminação artificial que emite grandes quantidades de raios UV por longos períodos de tempo.
  • Faça uso de produtos específicos que possuam recomendações médicas para amenizar o aspecto aparente das manchas, se assim desejar.
  • Não faça tatuagens, já que este tipo de adorno corporal é uma lesão, que pode comprometer a saúde da sua pele e o tratamento em curso.

Como prevenir o vitiligo?

Ainda não existe nenhuma maneira de se prevenir o aparecimento do vitiligo, porém, a grande maioria dos médicos afirma que a aceitação da condição patológica, a manutenção da saúde emocional e a confiança no método terapêutico de tratamento escolhido são as melhores maneiras de garantir que os resultados sejam positivos.

Você pode evitar outras complicações entendendo que apesar de desagradável, o vitiligo não é fatal e é relativamente simples de se conviver.

Recursos e Suporte

Atualmente, a pessoa portadora do vitiligo pode buscar tratamento em instituições públicas ou privadas. Existem medicamentos que são concedidos de forma gratuita pelo governo e alguns diferenciados que possuem um custo a parte.

Além disso, existem diversos grupos de apoio e organizações não governamentais que trabalham com o intuito de divulgar a doença e ajudar no tratamento de todo e qualquer interessado. O mesmo preceito é válido para o acompanhamento psicológico, que pode ser feito pelos órgãos de saúde, bem como as entidades avulsas.

Associação de Apoio a Pessoas com Psoríase e Vitiligo (AAPPV)

A AAPPV, conhecida popularmente como Associação de Apoio a Pessoas com Psoríase e Vitiligo é uma das organizações mais famosas que fala sobre o assunto com o intuito de combater principalmente o preconceito.

Agora que você já sabe tudo sobre o vitiligo ficou mais fácil de identificar e tratar esta patologia. Lembre-se de que a saúde mental de quem sofre com esta patologia também importa, portanto, tome cuidado. Quanto mais cedo o tratamento e o controle da patologia for efetuado, mais rápido poderão ser vistos os resultados. Em caso de dúvidas procure ajuda de um médico ou profissional especializado no assunto, ele vai poder te dar certas dicas que podem ser muito úteis durante todo o processo.